Um parafuso pode ter praticamente o mesmo diâmetro de outro e, ainda assim, não encaixar na porca, no equipamento ou na peça onde será aplicado.
Esse problema aparece com frequência quando existe uma diferença que nem sempre é percebida visualmente: o sistema de rosca.
Na indústria, manutenção, ferramentaria, montagem de máquinas e reposição de componentes, é comum encontrar tanto roscas métricas quanto roscas em polegadas. E tentar substituir uma pela outra pode resultar em rosca danificada, fixação inadequada, retrabalho e até parada de equipamento.
Por isso, saber identificar corretamente a rosca de um parafuso é importante não apenas para a equipe de manutenção, mas também para compradores, almoxarifes e profissionais responsáveis pela reposição de materiais.
Neste artigo, você vai entender as principais diferenças entre rosca métrica e rosca em polegada, como identificar cada uma e quais informações devem constar em uma solicitação de compra.
A rosca é a parte helicoidal presente no corpo do parafuso responsável por permitir seu encaixe em uma porca, furo roscado ou outro componente compatível.
Porém, duas roscas não são compatíveis apenas porque apresentam diâmetros semelhantes.
Para que o encaixe seja correto, características como diâmetro, passo, perfil da rosca e padrão utilizado precisam ser compatíveis.
É justamente nesse ponto que surgem muitos erros.
Em uma empresa que trabalha com máquinas de diferentes origens ou equipamentos adquiridos em períodos distintos, por exemplo, pode haver fixadores métricos e em polegadas dentro da mesma operação.
Visualmente, alguns deles podem ser bastante parecidos.
A principal diferença está no sistema utilizado para definir suas dimensões.
Na rosca métrica, as medidas são expressas em milímetros.
Já nas roscas em polegadas, as dimensões são baseadas no sistema imperial e o passo normalmente é identificado pela quantidade de fios de rosca existentes em uma polegada.
Na prática, isso muda a maneira como o parafuso é especificado.
Um parafuso métrico pode aparecer, por exemplo, como:
M8 x 1,25
Nesse caso, o “M” identifica a rosca métrica, o número 8 representa o diâmetro nominal em milímetros e 1,25 representa o passo da rosca, também em milímetros.
Já uma rosca em polegada pode aparecer da seguinte maneira:
1/4″-20 UNC
Nesse exemplo, 1/4″ representa o diâmetro nominal e 20 indica que existem 20 fios de rosca por polegada. UNC identifica a série da rosca.
Apesar de ambos serem parafusos, o sistema de identificação é completamente diferente.
O passo é uma das informações mais importantes para identificar corretamente um fixador.
Nas roscas métricas, ele corresponde à distância entre dois filetes consecutivos da rosca, normalmente expressa em milímetros.
Por exemplo, em uma rosca M10 x 1,5, o diâmetro nominal é de 10 mm e o passo é de 1,5 mm.
Isso significa que a distância entre um filete e outro é de 1,5 mm.
Existem diferentes passos para determinados diâmetros. Portanto, saber apenas que o parafuso é “M10” pode não ser suficiente em algumas aplicações.
Dois parafusos podem possuir o mesmo diâmetro nominal e passos diferentes.
Quando isso acontece, eles não devem ser considerados automaticamente intercambiáveis.
Nas roscas em polegada, é comum utilizar o conceito de TPI, sigla para Threads Per Inch, ou fios por polegada.
Em vez de informar diretamente a distância entre os filetes, o sistema informa quantos filetes existem ao longo de uma polegada.
Um parafuso identificado como 1/4″-20 possui, portanto, 20 fios de rosca em uma polegada.
Outro parafuso do mesmo diâmetro pode possuir uma quantidade diferente de fios.
É por isso que dois fixadores de 1/4″ não são necessariamente iguais.
Entre os padrões encontrados em fixadores em polegada estão as séries UNC e UNF.
UNC significa Unified National Coarse, ou rosca unificada grossa.
UNF significa Unified National Fine, ou rosca unificada fina.
Para um mesmo diâmetro nominal, a UNC possui menos fios por polegada, enquanto a UNF possui mais fios por polegada.
Um exemplo ajuda a visualizar a diferença.
Um parafuso de 1/4″ pode ser encontrado como 1/4″-20 UNC ou 1/4″-28 UNF.
O diâmetro nominal é o mesmo, mas o número de fios por polegada é diferente.
Consequentemente, uma porca UNC não deve ser utilizada em um parafuso UNF apenas porque ambos apresentam o mesmo diâmetro nominal.
Sim, e justamente por isso acontecem tantos erros.
Algumas dimensões métricas ficam visualmente próximas de determinadas dimensões em polegada.
Para alguém que tenta identificar um parafuso apenas comparando visualmente as peças, a diferença pode parecer mínima.
O problema geralmente aparece na montagem.
O parafuso começa a entrar, oferece resistência e o profissional pode interpretar isso como sujeira, oxidação ou necessidade de aplicar mais força.
Forçar o encaixe é um erro.
Se a rosca não for compatível, continuar apertando pode deformar os filetes tanto do parafuso quanto da rosca interna.
O resultado pode ser a perda de dois componentes em vez de simplesmente substituir um fixador.
Uma das causas mais comuns de erro na compra de fixadores é informar somente o diâmetro aproximado.
Solicitações como “preciso de um parafuso de aproximadamente 8 mm” deixam informações importantes em aberto.
Além do diâmetro, podem ser necessários o comprimento, o passo da rosca, o tipo de cabeça, o material, a classe de resistência, o acabamento e outras características específicas da aplicação.
Quando se trata de uma peça importada ou equipamento cuja origem não é conhecida, identificar se a rosca é métrica ou em polegada se torna ainda mais importante.
Quanto mais completa a especificação enviada ao fornecedor, menor a possibilidade de receber um componente incompatível.
O primeiro passo é verificar se existe documentação técnica do equipamento.
Manuais, desenhos, listas de componentes e especificações do fabricante são fontes melhores do que tentar descobrir a medida apenas visualmente.
Quando essa documentação não está disponível, alguns instrumentos podem ajudar.
O paquímetro permite medir o diâmetro externo do parafuso com muito mais precisão do que uma régua ou trena.
Essa informação ajuda a restringir as possibilidades.
Entretanto, medir apenas o diâmetro ainda não confirma qual é a rosca.
É necessário verificar também o passo.
O pente de rosca é um instrumento desenvolvido justamente para ajudar na identificação do passo.
Suas lâminas possuem diferentes perfis que podem ser comparados diretamente com os filetes do parafuso.
Quando a lâmina se encaixa corretamente na rosca, é possível identificar o passo correspondente.
Para empresas que realizam manutenção frequente em máquinas e equipamentos, esse é um instrumento simples que pode evitar muitos erros de identificação.
Outra possibilidade é comparar o parafuso com uma peça cuja especificação já seja conhecida.
Essa técnica pode ajudar em uma análise inicial, mas não deve substituir uma medição adequada quando a aplicação exige precisão.
Peças aparentemente iguais podem possuir pequenas diferenças de passo.
Quando uma porca começa a entrar no parafuso e trava rapidamente, aplicar mais força nem sempre é a solução.
Isso pode indicar incompatibilidade entre as roscas.
Forçar o aperto pode provocar deformação dos filetes, travamento da porca, desgaste prematuro e dificuldade de desmontagem.
Em determinados casos, o problema também pode afetar componentes mais caros, como flanges, carcaças, eixos ou blocos de máquinas com roscas internas.
Antes de utilizar uma chave maior ou aumentar o torque, é importante confirmar se os componentes realmente possuem a mesma especificação.
A identificação correta da rosca não é importante apenas na compra de parafusos e porcas.
Ela também é fundamental quando a empresa precisa produzir ou recuperar uma rosca.
Os machos são utilizados para gerar ou reparar roscas internas, enquanto os cossinetes são utilizados em roscas externas.
A ferramenta precisa corresponder ao sistema, diâmetro e passo desejados.
Usar um macho incorreto em um furo existente pode remover material de maneira inadequada e comprometer definitivamente a rosca.
Por isso, antes de realizar qualquer recuperação, confirme a especificação.
Uma boa prática é criar um padrão interno de cadastro para fixadores.
Em vez de cadastrar simplesmente “parafuso sextavado”, a descrição deve reunir informações suficientes para identificar exatamente a peça utilizada pela empresa.
Um cadastro pode seguir uma lógica semelhante a:
Parafuso sextavado M10 x 1,5 x 50 mm – classe e acabamento conforme especificação.
Ou:
Parafuso sextavado 3/8″-16 UNC x comprimento especificado.
O formato exato dependerá do sistema utilizado pela empresa e das características importantes para cada aplicação.
O principal objetivo é impedir que diferentes componentes sejam tratados como se fossem o mesmo produto.
Outra maneira de reduzir erros é relacionar determinados fixadores aos equipamentos nos quais são empregados.
Imagine uma empresa com dezenas de máquinas.
Quando um profissional solicita um parafuso apenas pela aparência, o setor de compras precisa descobrir qual é o componente correto.
Se o cadastro informa que determinado código é utilizado no “equipamento X – conjunto Y”, a identificação se torna muito mais simples.
Esse processo também facilita a criação de estoque mínimo para componentes críticos.
Empresas que possuem equipamentos de fabricantes internacionais precisam ter atenção ainda maior.
Dependendo da origem da máquina e das normas adotadas pelo fabricante, diferentes sistemas de rosca podem aparecer na operação.
Por isso, não é recomendado substituir automaticamente um fixador importado por uma medida métrica aparentemente próxima.
A diferença pode parecer pequena no paquímetro, mas ser suficiente para tornar as roscas incompatíveis.
Sempre que possível, consulte a documentação técnica ou identifique corretamente o componente antes da compra.
Para agilizar o atendimento, reúna o máximo possível de informações sobre o componente.
O sistema da rosca deve ser identificado, assim como o diâmetro, passo ou quantidade de fios por polegada e comprimento.
Também podem ser relevantes informações sobre tipo de cabeça, material, acabamento, resistência e quantidade necessária.
Se existir uma norma ou código do fabricante, informe também.
Fotos ajudam, mas não devem ser utilizadas como única referência quando existem dimensões críticas.
Quanto mais completa for a especificação, mais fácil será encontrar o produto correto.
Parafusos e porcas normalmente possuem custo relativamente baixo quando comparados a máquinas e equipamentos industriais.
Entretanto, isso não significa que erros na escolha tenham impacto pequeno.
Imagine uma manutenção programada na qual a equipe desmonta um equipamento e descobre que os parafusos comprados anteriormente possuem o passo errado.
A produção pode permanecer parada até que os componentes corretos sejam localizados e entregues.
Nesse cenário, o custo do erro não está no parafuso.
Está nas horas improdutivas, na equipe aguardando, na compra emergencial e no atraso da operação.
É por isso que a especificação de fixadores deve ser tratada como parte do planejamento de manutenção e suprimentos.
Nem sempre o comprador possui todas as informações necessárias no momento da cotação.
Em situações assim, trabalhar com um fornecedor especializado facilita a identificação das características necessárias e reduz a possibilidade de compras incorretas.
A VJ Parafusos trabalha com ampla linha de sistemas de fixação, parafusos, porcas, ferramentas manuais, ferramentas para usinagem e instrumentos de medição utilizados em aplicações profissionais e industriais.
Entre os produtos disponíveis estão também itens que auxiliam na identificação, produção e manutenção de roscas, como paquímetros, pentes de rosca, machos e cossinetes.
Rosca métrica e rosca em polegada podem parecer detalhes técnicos, mas fazem grande diferença na montagem e manutenção de equipamentos.
Dois parafusos com dimensões visualmente próximas podem possuir sistemas ou passos diferentes e, por isso, serem completamente incompatíveis.
Antes de comprar ou substituir um fixador, confirme o sistema utilizado, o diâmetro, o passo da rosca e as demais características importantes da aplicação.
Usar instrumentos adequados, manter um cadastro organizado e fornecer especificações completas ao setor de compras ajuda a evitar erros, retrabalho e paradas desnecessárias.
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